UPM é ponte entre estudantes brasileiros e governo boliviano

Deputados da UPM foram chamados para resolver impasses em Santa Cruz de La Sierra, onde estudam 20 mil brasileiros.

Deputados da UPM foram chamados para resolver impasses em Santa Cruz de La Sierra, onde estudam 20 mil brasileiros.

Nesta terça-feira (03jun14) voltou ao Brasil a comitiva formada por deputados brasileiros que estiveram em Santa Cruz de La Sierra, Bolívia, desde o dia 30 de maio para ouvir reivindicações de alunos brasileiros que vêm encontrando dificuldades com trâmites burocráticos no país andino.

A comitiva, formada pela deputada federal Perpétua Almeida (PCdoB-AC) e pelos deputados estaduais Kennedy Nunes (PSD-SC), Eduardo Farias (PCdoB-AC), Francisco Souza (PSC-AM), Wanderlei Barbosa (PSB-TO) e Wilson Lisboa (PCdoB-AM), reuniu-se com alunos, reitores das universidades locais, Parlamento boliviano, os Ministérios da Educação e da Saúde e a Embaixada do Brasil.

A exemplo do encontro ocorrido em outubro de 2013, os deputados ouviram dos estudantes reclamações sobre a burocracia para se conseguir visto permanente e as dificuldades para realização de estágios e do exame de grado. Em conversa com os Ministérios e os reitores, a comitiva brasileira, liderada pela deputada Perpétua, articulou soluções para fortalecer a integração entre os dois países, incluindo a efetivação da Bolívia como membro do Mercosul. “A Bolívia está perdendo estudantes para Peru, Paraguai, Uruguai e Argentina porque esses países oferecem facilidades aos estudantes do Mercosul. Num cálculo rápido, hoje entram na Bolívia quase 300 milhões de dólares por ano só com a ida de estudantes brasileiros. Um mercado que não pode ser ignorado”, comentou o deputado Kennedy Nunes durante o encontro.

O terceiro encontro na Bolívia foi considerado pela deputada federal Perpétua Almeida o mais produtivo, onde decisões importantes foram tomadas.

O terceiro encontro na Bolívia foi considerado pela deputada federal Perpétua Almeida o mais produtivo, onde decisões importantes foram tomadas.

Falta de comunicação

O encontro entre a comitiva e os ministérios da Educação e da Saúde mostrou que a falta de comunicação entre o Estado boliviano e os estudantes brasileiros é um dos entraves. Tanto os estudantes não sabiam de ações do governo, como o governo não tinha conhecimento dos problemas enfrentados pelos estudantes. Os deputados brasileiros fizeram a ponte para esclarecer vários pontos divergentes.

Soluções

Esta visita à Bolívia foi considerada pela deputada Perpétua como a mais produtiva das três realizadas. Veja abaixo o resultado do encontro.

Vistos

A orientação da Embaixada brasileira é que o estudante que pretende estudar na Bolívia tire o visto ainda no Brasil, para evitar aborrecimentos. O acordo bilateral entre os países acelera o processo, no entanto, por desconhecimento, muitos estudantes saem do país com o visto para turista.

Exame de grado

Após a visita dos deputados em outubro de 2013, o presidente Evo Morales baixou um decreto dando seis meses para que o Ministério da Educação realize o exame. A partir de julho, um site disponibilizará informações sobe os processos de cada aluno.

Provincia (Residência)

Por falta de locais para estágios, muitos alunos são obrigados a esperar até dois anos para conseguir realizar sua provincia (equivalente à Residência no Brasil), a comitiva pediu que se avaliasse a possibilidade do internato fosse feito no Brasil, com o reconhecimento das instituições bolivianas.

A burocracia

Os deputados solicitaram aos reitores que sejam mais rígidos na inscrição dos alunos. Porque na tentativa de facilitar o ingresso ao curso, as universidades fazem vistas grossas à falta de um carmbo, ou mesmo um documento. Isso causa grande transtorno depois, impedindo a realização do exame de grado.

Grupo de encontros

Por solicitação da deputada Perpétua, será criado um Grupo de Trabalho, onde terão acento o Ministério da Saúde, o Ministério da Educação, a Associação das Universidades Privadas, o Conselho das Universidades Públicas e representante dos alunos. Esse grupo deverá ser capitaneado pelo Congresso Nacional da Bolívia através da Comissão de Educação e reunir-se periodicamente para tratar assuntos como os discutidos durante o encontro com a comitiva brasileira.

Mais médicos

Podem inscrever-se no Programa Mais Médicos países que tenham pelo menos 2,8 médicos para cada mil habitantes. Enquanto Cuba conta com 6,8 médicos para cada mil habitantes e a Espanha 3,2; a bolivia possui apenas 1,7 médicos por mil habitantes; no entanto, forma médicos em quantidade suficiente para ingressar no Programa Mais Médicos. Isso não acontece porque os formandos recebem o diploma, mas não o registro profissional, por não terem visto de trabalho permanente no país. A sugestão apresentada foi de as instituições darem, a exemplo do Brasil, o registro como clínico geral, depois o estudante busca a especialidade médica. Para o deputado Kennedy, a Bolívia vai aumentar seu índice de médicos por habitantes e os formandos poderão participar do Programa Mais Médicos. “Seria interessante que médicos brasileiros egressos das universidades bolivianas pudessem participar do Mais Médicos e ocupar as inúmeras vagas existentes”, vislumbra Kennedy.