As correntes da burocracia

Esforço do governo do estado esbarrou na burocracia municipal e empresários da Yudo desistiram de Joinville

Esforço do governo do estado esbarrou na burocracia municipal e empresários da Yudo desistiram de Joinville

Por Kennedy Nunes

(artigo publicado no jornal A Notícia de 23/01/14)

Não há nada mais ineficiente do que um sistema cuja burocracia é cega. No Brasil, essa parece ser a tônica e, em Joinville, não é diferente. A fábrica Yudo Co. tinha intenções de instalar-se no Norte Catarinense. Em viagem à Coreia, ao lado do governador Raimundo Colombo, participei de reuniões para agilizar isso. Os diretores da empresa planejavam instalar-se em Araquari, mas, com a intervenção de nossa comitiva, explorando o fato de Joinville ser pólo metalmecânico e com forte potencial humano e mercadológico, a Yudo optou por vir para Joinville.

O DNA do setor de ferramentaria em Joinville foi formado por empregados oriundos das grandes fábricas da cidade, que montaram pequenas ferramentarias especializadas em um único segmento. Isso gerou diversas pequenas empresas em diferentes regiões da cidade, fazendo com que uma peça precise percorrer um longo caminho para ficar pronta. A instalação de um pólo de ferramentaria uniria em um único espaço os diversos processos.

Passados quase dois anos, a empresa divulgou o cancelamento do investimento de R$ 100 milhões em Joinville e, consequentemente, da abertura de 250 novos empregos na região. A alegação? Longa espera pela liberação do início das obras. A Seinfra e a Fundema foram os principais alvos das críticas da Yudo. O governo expõe da seguinte maneira a situação: “A burocracia não é exclusividade da Seinfra. Atualmente, em média, para um empreendimento conseguir o alvará de construção em Joinville, depois de passar por todos os órgãos (municipais e de outras esferas) e etapas, demora 171 dias”. (Jornal A Notícia, edição de 18 e 19/01/2014).

A burocracia, por ser cega, não viu a grandiosidade e a importância do projeto. Preferiu baixar a cabeça e exigir carimbos. A gestão pública moderna exige agilidade e transparência nos processos, exige setores integrados e, acima de tudo, gestores que tenham uma visão além do processo burocrático. Ou desburocratizamos a máquina, ou vamos perder cada vez com mais frequência oportunidades como essa.

Na condição de deputado, pergunto: de que adianta as viagens e nosso empenho nas negociações para trazer investimentos ao estado, se quando os empresários chegam aqui são acorrentados pela burocracia?