KENNEDY OUVE ESTUDANTES DE MEDICINA DA BOLÍVIA

Kennedy visita laboratório de farmacologia da Udabol, na Bolívia.

Kennedy visita laboratório de farmacologia da Udabol, na Bolívia.

Convidado pela Universidade de Aquino da Bolívia (Udabol), o presidente do Bloco Brasileiro da UPM (União de Parlamentares Sul-americanos e do Mercosul), deputado Kennedy Nunes, esteve em Santa Cruz de La Sierra entre os dias 22 e 25, para ouvir autoridades e estudantes de medicina.

Kennedy conheceu setores da universidade, como a área de odontologia, que possui mais de 800 alunos e onde 200 pacientes são atendidas por dia, entre pessoas de vulnerabilidade social e crianças órfãs. No final da tarde do dia 23, com auditório lotado, Kennedy ouviu dos alunos sobre as dificuldades encontradas. Como muitos alunos não puderam participar por estarem em prova, um novo encontro foi realizado no dia seguinte.

Discriminação

Foram muitas as queixas dos estudantes brasileiros, entre elas a forte discriminação que sofrem no Brasil, porque a comunidade médica daqui contesta a qualidade do ensino boliviano. Após ter conhecido a estrutura da universidade e participado de aulas, Kennedy afirmou ser um preconceito dizer que o ensino na Bolívia não é de qualidade: “É de qualidade, sim. E mais do que isso, esses médicos falam português, um dos pontos discutidos, por exemplo, no Programa Mais Médicos. Além disso, é importante lembrar que os cursos da Udabol são certificados pelo Mercosul”.

Kennedy propôs que os formandos fizessem um comboio em cidades de divisa para atender aos brasileiros e mostrar a qualidade de seu trabalho. “A estrutura móvel da faculdade é ótima, são mais de 20 ônibus. Vamos levar esse assunto à Unale também”, disse o deputado.

Internatos

Outro tema discutido no encontro foi a dificuldade de os estudantes brasileiros cumprirem o “internato hospitalar”. Alguns hospitais brasileiros têm convênio firmado com a Universidade e chancelado pelo Itamaraty, porém o Conselho Federal de Medicina se posicionou contra esse convênio. Kennedy diz que vai averiguar a situação e ver o que vale, se o convênio ou a posição do Conselho Federal.

Taxas desiguais

Alunos alegaram que a Bolívia muda as leis com frequência e que há um acentuado jogo de propinas, que tem dificultado a permanência dos estudantes na Bolívia. Segundo informação dos estudantes, há um prazo para pagar a taxa de permanência, de R$ 800,00, depois do prazo, é cobrada uma multa de aproximadamente R$ 60,00 por dia. Segundo Kennedy, 80%  dos brasileiros estão com altas dívidas porque não foram informados da multa. Por outro lado, estudantes argentinos pagam pela mesma taxa, o equivalente a R$ 12,00. “Como são acordos bilaterais, é preciso ver por que essa diferença. Vou buscar informação sobre o acordo entre Brasil e Bolívia para saber quais os critérios e pedir ao governo uma melhor negociação”, informou o presidente da UPM.

Grupo criado e nova reunião

Kennedy se comprometeu a marcar uma nova reunião para levar à Bolívia parlamentares da UPM e da UNALE, técnicos do Ministério da Saúde e representantes do Conselho Federal de Medicina para que eles conheçam melhor a estrutura, o conteúdo programático e a didática utilizada nas faculdades bolivianas. Além disso, um grupo será criado, envolvendo as seis faculdades de Medicina de Santa Cruz de La Sierra para representar oficialmente os alunos brasileiros da cidade.